Sábado, 06.06.09

«Say the right things when electioneering...»


Electioneering - Radiohead
"O.K. Computer" (1997)
publicado por Olavo Lüpia às 14:17 | link do post | comentar
Segunda-feira, 02.07.07

Remissão

Obviamente, não é apenas este tasco que faz a devida vénia ao cumprimento de uma década sobre o evento "O.K. Computer".
Vale a pena espreitar o assinalar da efeméride pelo sítio Music By Day, com vídeos de performances ao vivo de todas as músicas do disco, com excepção para o tema Fitter Happier).
publicado por Olavo Lüpia às 00:30 | link do post | comentar
Domingo, 01.07.07

10/10 (dez-em-dez) - "OK Computer", 1997 (parte 2)

(capa do disco: Stanley Donwood)


(continuação)

Se Paranoid Android é a peça charneira do disco, o seu resumo musical em seis minutos e qualquer coisa, Fitter Happier é o coração. Um coração de classe média, com a voz sintetizada da plataforma de um Macintosh.
Cristaliza-se a metamorfose do homem em máquina, que resume o sentir global do disco, repleto de slogans do tão em voga "viver saudável". Consta que o piano que podemos ouvir em fundo foi criado por Thom Yorke, em estado ébrio.

Fitter Happier

Do maquinismo eléctrónico de Fitter Happier passa-se para o pulsar vivo de Electioneering. O riff rock excitante, saído da guitarra de Jonny Greenwood, dá o tiro de partida para uma verdadeira montanha russa musical. A guitarra de Greenwood é, aliás, o que mais sobressai da música: enquanto Yorke canta magistralmente o refrão «When I go forwards/and you go backwards/and somewhere we will meet...», Greenwood faz com a sua guitarra, exactamente, tais percursos. Uma ideia simples, mas de uma eficácia tremenda.

Electioneering

A onda de excitação é quebrada com a hipnótica e demencial Climbing Up The Walls. As guitarras que faziam a faixa anterior (assim como o baixo) são agora substituídas por sintetizadores, que apenas são acompanhadas por cordas na sua parte final, num arranjo orquestral estranhíssimo - segundo J. Greenwood, inspirado no trabalho do compositor e maestro polaco, Krzysztof Penderecki. Os violinos não estão a tocar exactamente a mesma nota, mas notas separadas por quartos de tom, num efeito assustador, para o qual também concorre a voz de Yorke.

Climbing Up The Walls

A pura pop de No Surprises toma então o seu lugar, naquele que seria o terceiro single extraído do disco. Música mais simples no catálogo dos radiohead não existe. Um arpejo de guitarra, tocada com o capodastro no 15.º trasto, é o pano de fundo para toda a ode a um estilo de vida simples, sem stresses ou pressões urbano-depressivas.
Mais um vídeo excelente, realizado por Grant Gee (realizador do documentário de 1998, "Meeting People is Easy", sobre a digressão de promoção a este mesmo disco), em um só plano, sem cortes, e que servirá como prova da resistente caixa torácica de Thom Yorke, que serve não apenas para suster e vibrar a sua voz ou aclarar os falsetes.



Lucky é a faixa seguinte. Já havia sido editada num disco de apoio às crianças localizadas nos cenários de guerra da Bósnia-Herzegovina, de nome "The Help Album" (1995). Mais uma excelente música, com um refrão dramático e majestoso. O arranjo instrumental final é simplesmente soberbo.

Lucky

O disco acaba com The Tourist. Para não destoar, mais uma música impressionante. Os compassos irregulares e o casamento perfeito entre as vozes de Yorke e do guitarrista O'Brien são os seus pontos fortes, até ao "sininho" que dá por concluída a canção e o disco (que há quem pense tratar-se do sinal sonoro de um micro-ondas).

The Tourist


"Ok Computer" é, assim, um disco equilibrado, sem músicas menores. Em todas elas se vislumbra o trabalho aturado de composição, arranjo e produção. Um disco inovador, onde o calor do rock e a electrónica mais fria se juntam, de uma forma perfeita.
Pessoalmente, é um disco de uma vida.
Vejo-me até à sua audição como um ouvinte de rock e do pós-grunge, dos Pearl Jam (que, por acaso, reparei, ainda não coloquei aqui no tasco - só mesmo por acaso), dos Alice In Chains e, especialmente, dos Soundgarden até às suas influências principais, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Neil Young, etc.
Vejo-me depois como um ouvinte aberto a todo o tipo de música, sem preconceitos.
Antes gostava de guitarras, de baixos, de baterias, de vozes, depois fiquei a gostar de música - daí, talvez, se explique assim um pouco, também, o nome aqui do estaminé.

(Ainda assim, aqui fica uma "prendinha" para todos os guitarristas)
publicado por Olavo Lüpia às 02:10 | link do post | comentar
Sábado, 30.06.07

10/10 (dez-em-dez) - "OK Computer", 1997 (parte 1)

(capa do disco: Stanley Donwood)


Passam já dez anos sobre aquela que é, talvez, a melhor obra prima musical dos últimos 30 anos. Um disco que marca uma geração de músicos e melómanos, com música intemporal, superiormente escrita e arranjada e com a produção insuperável do então desconhecido Nigel Godrich, que havia assistido John Leckie na produção de "The Bends" (1995), e da própria banda.
O disco pode ser visto como «O definitivo guia para a sobrevivência nas sociedades modernas ocidentais», com foco especial na pressão e alienação do ser humano, causada por uma evolução social e tecnológica, que processou informação excessiva em relação ao que o Homem consegue assimilar. A mecanização e automatização das acções humanas - já não resultado da vontade consciente da pessoa - vai sendo explorada ao longo do disco (como exemplos, Paranoid Android, Let Down, No Surprises e, por todas, Fitter Happier).

O disco começa com Airbag. A batida de Phil Selway e o riff de guitarra de Jonny Greenwood constroem a rede de sustentação para uma música que apresenta uma estrutura convencional de canção, estrofe/refrão. No entanto, todo o trabalho de guitarras e percussão que vai acontecendo em pano de fundo, como que uma parede sonora, é absolutamente impressionante, até que tudo se caotiza mais para o final, com o noise das guitarras e dos mais variados instrumentos de percussão utilizados e sons computorizados.

Airbag

A seguir, chega o primeiro single de apresentação de "OK Computer", Paranoid Android. 3 músicas comprimidas e juntas numa, o que originou algumas comparações com Bohemian Rhapsody, dos Queen.
Musicalmente, é uma espécie de junção entre uns Pink Floyd dos anos 70 e uns Radiohead de "The Bends"; liricamente, é inspirada na personagem Marvin, o boneco que podem ver na barra lateral direita (na versão cinematográfica de 2005), de "The Hitchiker's Guide to the Galaxy", do escritor britânico Douglas Adams.
Não há muito a dizer mais sobre esta música, para além de que a considero a melhor música dos anos 90 e uma das melhores e mais inovadoras musicas de sempre. Tudo está pensado e executado ao milímetro. Os riffs das guitarras que vão dando os diferentes motes às sub-músicas são muito inteligentes, todos os sons que ouvem estão pensados ao milímetro e têm que escutar a músicas umas boas dezenas de vezes até os conhecerem todos. Desde a bateria clínica de Phil Selway, passando pela excelente linha de baixo de Colin Greenwood, os solos esfuziantes de Jonny Greenwood, o preenchimento de som por Ed O'Brien até à frágil e lindíssima voz de Yorke... está tudo lá.
Ainda sobre esta música, impossível esquecer o seu assombroso vídeo, realizado por Magnus Carlsson, responsável pela série animada "Robin", cujas personagens são "estrelas" do vídeo.




Subterranean Homesick Alien é uma música cujo título é inspirado na música Subterranean Homesick Blues, de Bob Dylan.
Sobre esta música, o guitarrista Jonny Greenwood explica que tentou recriar o ambiente de "Bitches Brew" - disco de 1970 de Miles Davis. O som, misterioso e futurista, serve a canção na perfeição, na sua história sobre um rapto alienígena.

Subterranean Homesick Alien

Exit Music (For A Film) aparece pela primeira vez, no final do filme "Romeo + Juliet" (1996), de Baz Luhrman, ainda que não tivesse feito parte da banda sonora original, a pedido de Thom Yorke. A música é inspirada, segundo o próprio Yorke, no exacto momento da narrativa em que Julieta aponta a arma à sua cabeça, vendo Romeu morto.
É outro verdadeiro monumento. Conduzida pela guitarra acústica de Yorke, naquela que podia ser uma balada folk ao estilo de um The Day Is Done de Nick Drake - a sequência de acordes iniciais é a mesma! -, as camadas de som que são colocadas na música dão-lhe uma tonalidade lúgubre. Temos samples de sons que parecem ser de crianças a brincar, coros de vozes sintetizados, até que a bateria e um baixo em pesada distorção entram na música, no seu climax apoteótico.

Exit Music (For A Film)

Depois, uma das minhas favoritas do disco e uma das mais melancólicas, Let Down, que esteve para ser o primeiro single do disco.
O riff da guitarra de Greenwood, tocado num compasso diferente do tradicional 4/4 em que estão os restantes instrumentos, é a primeira coisa a ouvir-se. Uma música pop perfeita, com as harmonias vocais de Yorke em plano de evidência, até ao seu final em forma de loop electrónico.

Let Down

Karma Police dispensa qualquer tipo de apresentação. É o segundo single de "OK Computer" e aquele que acabaria por focar as atenções do público em geral sobre o disco.
O som estridente final sai da imaginação do guitarrista Ed O'Brien, através da saturação de sons introduzidos num aparelho de delay digital.
O vídeo é realizado por Jonathan Glazer. Excelente, como já lhe é costume.




(continua)
publicado por Olavo Lüpia às 15:20 | link do post | comentar
Quarta-feira, 11.04.07

"Radiodread"

E se uns maluquinhos se decidissem a fazer uma recriação em "dub" de um dos melhores discos de sempre, mais precisamente o "O.K. Computer" (1997) dos Radiohead?
A coisa vai-se ouvindo bem até mais ou menos metade, mas depois a formatação da batida e guitarra "dub" começa a dar de si - ouvir esse retrato da vida citadina stressada, que transforma o homem em máquina, Fitter Happier, dito com um inglês de uma ilha das Caraíbas é, no mínimo, risível.
No entanto, sempre fica a curiosidade. E, para quem tem este disco como um dos seus impreteríveis, sempre vai achar alguma piada à revisitação.
Aqui fica a recriação de dois clássicos: Paranoid Android e Electioneering - um dos momentos musicalmente mais conseguidos do disco.

Paranoid Android - Easy All-Stars
Electioneering - Easy All-Stars
"Radiodread" (2006).

Dos mesmos malucos, existe ainda a revisitação de outro disco intemporal: "The Dark Side of The Moon" (1973), dos Pink Floyd.
Aqui deixo a versão de outro clássico:

Money - Easy All-Stars
"The Dub Side of The Moon" (2003)
publicado por Olavo Lüpia às 12:56 | link do post | comentar
Terça-feira, 05.12.06

Vídeos do outro mundo

Após várias tentativas e muita frustração de Yorke, a coisa lá saiu perfeitinha - como é possível ver no rockumentário "Meeting People is Easy" (1998)...


No Surprises, Radiohead
"Ok Computer" (1997)
Realizador: Grant Gee
publicado por Olavo Lüpia às 18:34 | link do post | comentar | feedbacks (1)
Quarta-feira, 20.09.06

Andróide Paranóide

Cantar e rir beatamente ao mesmo tempo não é tarefa fácil!
Foi o que eu fiz no dia 26.07.2002, no Coliseu do Porto, durante mais de duas horas! Se acham que Radiohead não é razão que chegue, desdenhem...
Que concerto inacreditável!
Por isso, aqui vai a música, em formato vídeo. O pormenor que me chamou mais a atenção é o que se passa aí aos 4'45'' do vídeo e dura uns 10 a 15 segundos. A cara de felicidade beata de uma menina da plateia, que se apresenta a cantar a parte "Rain down/ Rain down/Come on rain down on me/ From a great height/From a great height..."!
Quando se pensa: «mas... aquela menina está cega!», o zoom abre e vê-se que aquela alegria é geral (os companheiros de fila também não conseguem parar de rir...). E aquela parte da música é triste como a noite!! Agora, imaginem aquela feliz beatitude... durante duas horas!!



Paranoid Android, Radiohead, O.K. Computer (1997)
Performance de 25.05.2003, no Shepherd's Bush Empire, Londres

O disco O.K. Computer "mudou" a minha vida (e tenho que agradecer ao "Estebes" sem Metafísica por isso). Eu era um "ressacado" do grunge, um rockeiro inveterado, e esta música tirou-me as "palas" da cabeça... Um admirável mundo novo. É, para mim, um dos melhores discos de sempre, sem dúvida. Do princípio ao fim, é uma obra prima. Nada se pode ali pôr ou tirar. E mais não digo... porque se começo a falar deste disco... nunca mais me calo!!

Para acabar, a mesma música, mas na versão do pianista jazz Brad Meldhau, no disco Largo (2002). Uma ENORME versão.

Brad Meldhau - Paranoid Android

Se alguém tiver qualquer experiência que ache que valha a pena contar sobre a música, o disco, a banda ou concertos da mesma, esteja à vontade para mandar um feedback
. Não custa nada. E é bem melhor que ter Testemunhas de Jeová à porta ou uma doença venérea, certo?!
publicado por Olavo Lüpia às 12:17 | link do post | comentar | feedbacks (5)

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