Quinta-feira, 17.09.09

Especial Bruce Springsteen #2 - "Greetings From Asbury Park, N.J."


No começo de 1973, Bruce Springsteen inicia-se nos Long Play's, com um "olá!" efusivo da sua terra natal.
A E Street Band estava formada, contando nesta altura com o 'braço direito', o 'Big Man' Clarence Clemmons no saxofone, Garry W. Tallent no baixo (ambos ainda hoje membros da banda), 'Phantom' Danny Federici nas teclas (membro da banda até à sua morte, devido a um melanoma, no ano passado), David Sancious no piano e Vini 'Mad Dog' Lopez na bateria (membros da banda até 1974).

Blinded By The Light

O disco começa com um Springsteen em aturada consulta ao seu dicionário de rimas [*], com as sonoridades, rock, jazz e R&B de Blinded By The Light - música que, apesar de ter sido à altura lançada como single, apenas teve alguma notoriedade quando, alguns anos depois foi objecto de uma versão pela Manfred Mann's Earth Band.

Belíssimas histórias: o retrato romanceado do crescimento, em Growin' Up; a saga de Mary Queen of Arkansas, que exerce um domínio quase obsessivo, muito amor e algum ódio, sobre o seu cantor («You're not man enough for me to hate/Or woman enough for kissing»); a escuríssima história do anjo que se faz acompanhar de crianças corcundas, com veneno a escorrer do motor (The Angel); e uma saída ébria de um grupo de amigos num sábado à noite, em Spirit In The Night.
Nele podemos encontrar uma grande heterogeneidade de sons, o folk (Mary Queen of Arkansas, The Angel) dá lugar ao R&B (For You, Spirit In The Night ou It's Hard To Be a Saint In The City), que dá lugar ao pop e o rock (Growin' Up).

Mary Queen Of Arkansas

A escolher uma música como peça principal de um excelente disco inicial, as honras têm que ser feitas a Lost In The Flood: rock progressivo sombrio, narrando o folclore, ora heróico (Jimmy, The Saint) ora lúgubre, de New Jersey.

Lost In The Flood

publicado por Olavo Lüpia às 00:59 | link do post | comentar
Terça-feira, 06.05.08

It's Hard To Be A Saint In The City


A foto acima é de Novembro de 1974 e a "constituição da equipa" é 2/3 fácil de fazer. A meio, a figura que parece um tio distante de Philip Seymour Hoffman é Ed Sciaky, à altura DJ da Rádio WMMR-FM, de Philadelphia.
É Sciaky quem telefona a Springsteen, no dia 24 daquele mês, dizendo que queria apresentá-lo a Bowie (após pedido do próprio Camaleão). Bruce apanha, então, um autocarro até à capital da Pennsylvania e conhece Bowie nessa noite nos estúdios da Sigma Sound - onde haviam decorrido as gravações do disco "Young American".
No dia a seguir, Springsteen grava uma mensagem de Natal para Sciaky e para a sua rádio à tarde e, pela noite, vai com aquele ver o espectáculo que Bowie daria no Spectrum de Philadelphia.
Bowie, talvez por timidez, não o disse, logo, Springsteen não o soube, mas o primeiro, durante as referidas gravações de "Young American", havia gravado uma versão de It's Hard To Be a Saint In The City, que viria a ficar de fora daquele disco. Esta cover apenas aparece, anos mais tarde, em algumas compilações [*].
Do original para a versão, o rock perde a negritude soul jazz do Springsteen inicial e ganha a cor, a lúxuria e o glam do Bowie dos meados dos 70's - bem patente, por exemplo, naquelas cordas irrequietas, nas raias da disco.

It's Hard To Be a Saint In The City - Bruce Springsteen
"Greetings from Asbury Park, N.J." (1973)

It's Hard To Be A Saint In The City [outtake de "Young Americans"] - David Bowie
"Sound + Vision" (1989)

[letra]
[fonte: Brucebase, 1974]
____________________________________
[* "Sound + Vision" (1989), "Alternate Biography" (1997), "The Best of David Bowie 1974-1979" (1998), entre outros, de Bowie; também surge no disco de homenagem a Springsteen "One Step Up/Two Steps Back: The Songs of Bruce Springsteen" (1997).]
publicado por Olavo Lüpia às 00:42 | link do post | comentar | feedbacks (5)
Quinta-feira, 17.04.08

A coisa mais bonita que vão ouvir nos próximos 5 minutos...


Esse acima é o Springsteen dos tempos da audição na Columbia Records (hoje, Sony), que se realizou em 03.05.1972 (ver também este postal antigo), onde, entre outras, o rapaz mostrou a John Hammond uma primitiva versão* de Mary Queen of Arkansas, que mais tarde haveria de aparecer - com algumas alterações - no seu fantástico disco de estreia, "Greetings From Asbury Park, N.J.", de 1973.
Nela se pode ver o romantismo (no bom sentido!) do jovem Springsteen, com a produção de algumas das mais belas frases do rock - e que lhe valeram, à altura, o incómodo rótulo de "novo Dylan".

Mary Queen of Arkansas - Bruce Springsteen
"Greetings From Asbury Park, N.J." (1973)
[letra]

________________________
* a primeira versão desta música, gravada nos estúdios da Colombia Records, pode ser encontrada na colectânea "Tracks" (1998)
publicado por Olavo Lüpia às 01:03 | link do post | comentar | feedbacks (2)
Quarta-feira, 11.07.07

Assustadoramente belo


Lost In The Flood, Bruce Springsteen
"Greetings from Asbury Park, NJ" (1973)

Vale a pena seguir a assombrosa letra desta canção.

«The ragamuffin gunner is returnin' home like a hungry runaway
He walks through town all alone
He must be from the fort he hears the high school girls say
His countryside's burnin' with wolfman fairies dressed in drag for homicide
The hit and run, plead sanctuary, 'neath a holy stone they hide
They're breakin' beams and crosses with a spastic's reelin' perfection
nuns run bald through Vatican halls pregnant, pleadin' immaculate conception
And everybody's wrecked on Main Street from drinking unholy blood
Sticker smiles sweet as gunner breathes deep, his ankles caked in mud
And I said "Hey, gunner man, that's quicksand, that's quicksand that ain't mud
Have you thrown your senses to the war or did you lose them in the flood?"

That pure American brother, dull-eyed and empty-faced
races Sundays in Jersey in a Chevy stock super eight
He rides 'er low on the hip, on the side he's got Bound For Glory in red, white and blue flash paint
He leans on the hood telling racing stories, the kids call him Jimmy The Saint
Well the blaze and noise boy, he's gunnin' that bitch loaded to blastin' point
He rides head first into a hurricane and disappears into a point
And there's nothin' left but some blood where the body fell
That is, nothin' left that you could sell
just junk all across the horizon, a real highwayman's farewell
And he said "Hey kid, you think that's oil? Man, that ain't oil that's blood"
I wonder what he was thinking when he hit that storm
Or was he just lost in the flood?
Eighth Avenue sailors in satin shirts whisper in the air
Some storefront incarnation of Maria, she's puttin' on me the stare
and Bronx's best apostle stands with his hand on his own hardware
Everything stops, you hear five, quick shots, the cops come up for air
And now the whiz-bang gang from uptown, they're shootin' up the street
And that cat from the Bronx starts lettin' loose
but he gets blown right off his feet
And some kid comes blastin' round the corner but a cop puts him right away
He lays on the street holding his leg screaming something in Spanish
Still breathing when I walked away
And somebody said "Hey man did you see that? His body hit the street with such a beautiful thud"
I wonder what the dude was sayin' or was he just lost in the flood?
Hey man, did you see that, those poor cats are sure messed up
I wonder what they were gettin' into, or were they just lost in the flood?»
publicado por Olavo Lüpia às 02:49 | link do post | comentar

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