Terça-feira, 18.09.07

Excuse me while I kiss the sky...

Faz hoje 37 anos que Jimi Hendrix foi encontrado pela sua namorada de então, sufocado no seu próprio vómito, após se ter deitado aconchegado por nove comprimidos para dormir.
Enquanto este vivo, Hendrix revolucionou a guitarra, sendo, ontem, hoje e sempre, referência maior para todos os praticantes do popular instrumento.
Do wah-wah às dive-bombs, a técnica irrepreensível e uma imaginação sem par fizeram dele um mito. Dele é referido também o carácter afável.
Um dos seus espectáculos mais celebrado foi o concerto em Woodstock. Previsto para a meia-noite, por atrasos e dificuldades técnicas, o concerto só começou já na manhã do dia 18 de Agosto de 1969, quando cerca de metade da assistência já havia abandonado o local de Bethel, NY.
É um tour de force de Jimi Hendrix, com a banda que o próprio denominou de The Gipsy Suns and Rainbows, com os "experimentados" Mitch Mitchell na bateria e Billy Cox no baixo, aos quais se juntaram Larry Lee na guitarra e Jerry Velez e Juma Sultan na percussão (este último, clara e amplamente drógádo, o que contrastava - e muito - com o registo apenas "bastante pedrado" dos restantes).

Tocar guitarra com os dentes, dive-bombs, solos com distorção fuzz e wah-wah e todos estes combinados com uma versão ácida e imortal da Star Sprangled Banner são apenas alguns dos ingredientes que constam do registo vídeo do concerto.

publicado por Olavo Lüpia às 12:44 | link do post | comentar
Terça-feira, 26.06.07

Dancing days are here again...

Prepara-se a reunião de Jimmy Page, Robert Plant e John Paul Jones dos Led Zeppelin, com o filho do malogrado John Bonham, Jason. A última reunião dos Led Zepp, já sem "Bonzo", deu-se com o Live Aid - na altura, com Phil Collins na bateria. Nos anos 90, Plant & Page gravaram juntos "No Quarter" (1994) e "Walking Into Clarksdale" (1998) e fizeram digressões.
A "desculpa", desta vez, é um concerto de homenagem ao fundador da companhia discográfica pela qual os Zepp gravaram os seus discos, a Atlantic. Ahmet Ertegun, de seu nome, faleceu no final de 2006, após passar vários anos em coma, em resultado de uma queda num concerto dos Rolling Stones (!!).
No meio das conversações ficou estipulado que, se tudo correr bem nesse concerto, os reunidos Led Zeppelin sairão para a estrada para uma digressão.

(fonte)

Heartbreaker, "Led Zeppelin II" (1969)

Friends, "Led Zeppelin III" (1970)

Four Sticks, "Led Zeppelin IV" (1971)

Dancing Days, "Houses of The Holy" (1973)

publicado por Olavo Lüpia às 02:51 | link do post | comentar | feedbacks (1)
Segunda-feira, 11.06.07

Blue Mondays...

... talvez na sua mais agitada edição de sempre.

Babe I'm Gonna Leave You
Dazed and Confused
Led Zeppelin, "Led Zeppelin" (1969)
publicado por Olavo Lüpia às 02:55 | link do post | comentar
Terça-feira, 09.01.07

10/10 (dez-em-dez) - "Five Leaves Left", 1969



3 discos, música intemporal, uma vasta legião de influenciados e seguidores. Qualquer desses discos é merecedor da classificação "10/10", se bem que, ainda assim, expresse a minha preferência por este "Five Leaves Left" e por "Pink Moon" (1972). De permeio, encontra-se o também excelente "Bryter Layter" (197o) - único gravado com uma verdadeira banda, onde se incluiam, entre outros, John Cale, tocando teclas e harpa).
É difícil escolher palavras para Nick Drake. Tinha uma voz fabulosa, era um compositor de mão cheia e um guitarrista excelente. A sua música encontra-se dentro do universo da folk tradicional britânica (pondo-o a par de Bert Jansch, por exemplo), não deixando, no entanto, de se mutar, por exemplo, em canções pop perfeitas (como Saturday Sun).
A verdade, no entanto, é que Nick Drake passou completamente despercebido enquanto foi vivo - a letra de Fruit Tree (link abaixo) é assustadora(mente bela), em relação a isso.
Os ambientes criados por Drake nas suas músicas mexem com o ouvinte e sugerem-lhe as mais variadas imagens, quase que dispensando a voz. Mas eis que ela aparece, quase sempre como um lamento, desconcertando o que resta de quem ouve - a título meramente exemplificativo, ouça-se River Man ou Day Is Done.
A melancolia e a depressão (Day Is Done), o bucolismo (The Thoughts Of Mary Jane), o romance falhado (Time Has Told Me) e a efemeridade da vida (Fruit Tree) são os estados de espírito dominantes das canções de "Five Leaves Left" - e de Drake, em geral.
O ponto de partida para as canções deste disco é sempre a guitarra acústica de Drake, ao que se lhe juntam o baixo de Danny Thompson, cordas, com arranjos de Robert Kirby, e a excelente percussão de Rocky Dzidzornu - ouça-se Three Hours e Cello Song.
A produção de Joe Boyd completa o quadro, dando um corpo sólido e coerente ao som de Drake.

Sempre relutante em actuar ao vivo, Drake ganhou também aversão a gravar discos depois do minimalismo (mais uma vez) incompreendido de "Pink Moon". Os seus problemas psiquiátricos foram tomando a sua vida por completo, deixando-o hospitalizado por diversas vezes.
Em 25 de Novembro de 1975, Drake morre aos 26 anos, ao que tudo indica devido a uma overdose de anti-depressivos. O mundo perdeu um dos seus compositores mais intrigantes e promissores.
Daí que, profecia-puxa-mito, este "Five Leaves Left" parecia absurdamente premonitor, tendo em conta os 5 anos que restaram entre a sua edição e a morte do "profeta", cumprindo-se, in totum, a profecia de Fruit Tree.
Misticismos à parte, o que realmente interessa dizer é que "Five Leaves Left" contém em si 10 músicas eternas. Ei-las, por ordem e das mais variadas maneiras possíveis:


Time Has Told Me


River Man

Three Hours

Way To Blue


Day Is Done


Cello Song

The Thoughts Of Mary Jane

Man In a Shed


Fruit Tree

Saturday Sun

(letras)
publicado por Olavo Lüpia às 01:16 | link do post | comentar
Sábado, 28.10.06

Saturday Sun

De um dos meus mitos (sim, mais um morto!) preferidos, Nick Drake, uma bela reflexão sobre o dia de hoje.
É do incontornável e lindíssimo "Five Leaves Left" (1969). Tendo em atenção a qualidade e influência do legado que Drake nos deixou (em apenas 3 discos!!), não se espantem que eu fale dele mais um bom punhado de vezes por aqui.
Por agora...

Saturday Sun - Nick Drake
publicado por Olavo Lüpia às 23:47 | link do post | comentar
Quarta-feira, 20.09.06

Ainda dizem que a droga não faz bem?!!

The Beatles.
Provavelmente, a melhor banda de todos os tempos!
Dos cabelinhos com franjinha ridícula aos ácidos. Da roupinha preta e branca ao arco-íris "farpelar". De Love Me Do a I Am The Walrus...
Revolver ('66), Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band ('67), Magical Mistery Tour ('67) e o White Album ('68) - entre outros - são discos absolutamente fulcrais para o entendimento da música moderna como a nossa geração a herdou.
Curiosamente, a relevância musical da banda é directamente proporcional ao consumo de drogas dos seus membros:
- John começou a inspirar-se numa Lucy in the Sky with Diamonds (e, depois, no "matraquilho" Yoko Ono);
- Paul começou a fumar ganza como se não houvesse amanhã, para além dos ácidos da praxe (claro), e a compor música MESMO a sério - ou, nas palavras de Cavaco Silva, «música do c$%alho...»;
- George Harrison descobriu a cítara e o Ravi Shankar... e a guitarra dele começou a chorar suavemente;
- Ringo, que sempre se sentiu triste por lhe terem dado nome de cão e por não saber muito sobre o que era essa coisa de "tocar bateria", começou a usar as poucas noções de percussão que tinha... para o Bem!

Depois deste intróito pateta - como, aliás, todos os outros -, deixo-vos duas propostas.
A Tomorrow Never Knows, do Revolver (não, não se trata de uma sequela do novíssimo filme do Almodovar - que piada horrível...). É um marco incontornável da era psicadélica, exponenciada pela cena de S. Francisco dos finais dos 60's, com artistas como os Grateful Dead, Jefferson Airplane, The Mothers of Invention de Frank Zappa, Captain Beefheart ou Janis Joplin, passando pelo Verão do Amor ('67), culminando com o Woodstock, em Agosto de '69 .
Coincidência ou não, é em S. Francisco, no Candlestick Park, em 29 de Agosto de 1966, que os Beatles fazem o seu concerto de despedida. Em conversa com McCartney, ele disse-me o porquê de tão precoce despedida: «Eh, pá... Olavo, o povo berrava muito. Então, as gajas... Dassssssss! Eu não ouvia nada do que estava a fazer nem do que os outros tocavam. Quer dizer, no caso do Ringo até nem era mau, mas....». Ringo, himself, coçou a barba e ficou a olhar para o ar durante 7 minutos, até que acordou e disse, com um ar sábio: «Num me lembro...».
De qualquer forma, a música está fora do seu tempo. Muuuuuito à frente. Genial.

A segunda proposta é o Strawberry Fields Forever, do Magical Mistery Tour ('67), e não merece epíteto menor.
Uma obra de arte.
Nas palavras do Prof. Marcelo, «F...-se, Olavo! Essa música é o puto do fim do mundo».
Juro.
(Agora vou pedir aos meninos da minha mailing list para serem pacientes e ouvirem isto outra vez. Desculpem)
Propunha-vos três passos para se ouvir este "bocadinho de história", que são os seguintes:
1.º Ouçam a música só com a coluna da esquerda; depois
2.º Ouçam só com a da direita; (ou vice-versa) Por fim,
3.º Ouçam a música de forma normal, como a conhecem.

Impressionante, não é?... A mistura está feita de uma forma esquisitíssima e, no fundo, são 3 músicas numa só!
Ainda dizem que a droga não faz bem...

Tomorrow Never Knows
Strawberry Fields Forever

P.S. Nenhum Ringo Starr foi morto ou mal-tratado na redacção deste texto.
publicado por Olavo Lüpia às 00:25 | link do post | comentar | feedbacks (3)

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