Quinta-feira, 10.12.09

O Fascínio pelo Assassino #10 - Hey Joe

Hey Joe é um tema celebrizado pela interpretação de 1966 da Jimi Hendrix Experience, contando a história de um crime passional - porque é que nunca se deu este caso prático nas faculdades de Direito portuguesas para se estudar a problemática 'homicídio qualificado vs homicídio privilegiado' é mais uma das coisas que nunca vou conseguir entender.

Estruturalmente, diga-se que a música é um bom suporte para a letra, tendo a sua progressão de acordes ascendente o dom de propulsionar o efeito dramático crescente da história, que começa pela intenção de matar, ao que se lhe segue o crime e a posterior fuga para o México para evitar o castigo.
 
A verdadeira autoria de Hey Joe é um tema bastante complexo, sendo que a 'doutrina' divide-se entre se tratar de uma música do folclore dos Estados Unidos ou uma música composta por Billy Roberts (em 1962, a partir de uma melodia tradicional), que registou os direitos de composição em seu nome.

A música foi passando 'de guitarra em boca' e vice-versa, tornando-se uma música recorrente no repertório do rock de garagem da Califórnia. A mais conhecida é a versão dos The Leaves. Perdão, três versões dos The Leaves, a primeira em 1965 (com o título Hey Joe Where You Gonna Go?) e as restantes em 1966 (já apodada de Hey Joe). Em baixo fica uma delas.

Hey Joe - The Leaves

Hendrix ouviu-a e, da mesma forma como faria com All Along The Watchtower de Dylan, tornou-a sua e definitiva, gravando-a em single em 1966 e fazendo-a constar do disco de estreia da sua Experience, "Are You Experienced?", do mesmo ano.

Hey Joe - The Jimi Hendrix Experience

Após a gravação de Hendrix, muita gente fez-lhe o mesmo, de Cher aos Body Count, passando pelos Byrds, Tim Rose, os Deep Purple 'and so on, back and forth'.

Frank Zappa optou por um caminho diferente e, em Punk Flower, do seu disco de 1968 "We're Only In It For The Money", toma-lhe o mote e o formato pergunta-resposta para brincar com o movimento floral dos 60's: «Hey, Punk, where are you goin' with that flower in your hand?/I'm goin' down to Frisco to join a psychadelic band...»

Flower Punk - Frank Zappa & The Mothers Of Invention

De todas as versões da canção, registe-se a versão de Patti Smith. Em 1974, Hey Joe foi o seu primeiro e óptimo single.

Hey Joe - Patti Smith
publicado por Olavo Lüpia às 01:55 | link do post | comentar | feedbacks (1)
Quinta-feira, 04.12.08

Decomposing Composers #9/You Can't Do That On Stage Anymore


Whippin' Post (*) (**), Frank Zappa [21.12.1940-04.12.1993]
Performance ao vivo no The Pier, NY, 26.08.1984

____________________________
(*) versão do original dos Allman Brothers, incluída no seu disco de estreia, homónimo, de 1969.
(**) Em adenda: imperdoável seria não mencionar que, no vídeo acima, a voz e teclados foram-lhe ofertados por Bobby Martin...
publicado por Olavo Lüpia às 18:07 | link do post | comentar | feedbacks (3)
Domingo, 20.07.08

(Looking For) The Heart of Saturday Night, parte IV


Dancin' Fool - Frank Zappa
"Sheik Yerbouti" (1979)
publicado por Olavo Lüpia às 03:46 | link do post | comentar
Quarta-feira, 14.05.08

You Are What You Is - A Onomástica no clã Zappa


Busto de Frank Zappa, Vilnius, Lituânia

Não se trata apenas da peculariedade do nomes dos discos, como "Hot Rats", "Lumpy Gravy", "We're Only In It For The Money", "Uncle Meat", "Weasels Ripped My Flesh", "Chunga's Revenge", "Ship Arriving Too Late To Save a Drowning Witch", "You Can't Do That On Stage Anymore" (Vol. I - VI) ou "The Best Band You Never Heard In Your Life" e a lista continua...
Frank e Adelaide Gail Sloatman tiveram 4 filhos, cujos nomes originaram repetidas questões de jornalistas e anfitriões de talk shows.
À primogénita, nascida em 1967, foi ofertado o prodigioso nome Moon Unit Zappa. «Na verdade, foi uma escolha entre esse e Motor Head», explicou o pai a David Letterman, numa entrevista em 1982. É actriz e música, mas ficou mais conhecida por, aos 14 anos, ter sido a voz afectada de Valley Girl, uma paródia às miúdas superficiais de San Fernando Valley, LA.

Valley Girl - Frank Zappa (com Moon Unit Zappa)
"Ship Arriving Too Late To Save a Drowning Witch" (1982)

O segundo filho de Frank foi registado como Ian Donald Calvin Euclid Zappa, mas só se apercebeu desse facto aos 7 anos, já que até aí (como depois) toda a gente lhe chamava Dweezil - a primeira escolha de Frank, recusada no registo civil lá do sítio. Por vontade do filho e com a ajuda de um advogado, Dweezil deixou de ser apenas alcunha e passou a nome oficial. É guitarrista e um muito bom guitarrista. Terá herdado essa característica do pai.
O terceiro filho chama-se - preparem-se! - Ahmet Emuukha Rodin Zappa, e é músico, actor e romancista.
A quarta e última filha do casal Zappa também tem um nome fora do comum, talvez o melhor de todos: Diva Thin Muffin Pigeen Zappa. Sim, esse nome todo...
Sim, estes nomes todos...

Diva, Ahmet, Moon & Dweezil

The Idiot Bastard Son - Frank Zappa & The Mothers of Invention
"We're Only In It For The Money" (1968)
Muffin Man - Frank Zappa & The Mothers
"Bongo Fury" (1975)
publicado por Olavo Lüpia às 01:57 | link do post | comentar
Terça-feira, 04.12.07

Zappa In Regalia

Fez ontem 14 anos que o inetiquetável génio de Frank Zappa cessou de produzir ainda que esteja muito longe de se apagar. Por aqui faz-se uma pequeníssima parte.
Primeiramente, através de uma peça que sintetiza muito do que Zappa era: frases musicais que não passam pela cabeça de ninguém, arranjos extravagantes e a sensação de que está tudo fora da ordem normal... mas que só assim pode soar bem. E que bem que soa! Peaches en Regalia, numa versão ao vivo, que me parece ser dos anos 70, em vídeo - com o baterista Terry Bozzio em absoluto transe -, e o original de "Hot Rats" (1969), em áudio.


Peaches en Regalia (ao vivo), Frank Zappa

Peaches en Regalia - Frank Zappa
"Hot Rats" (1969)

Depois, uma música onde as características de cima se aplicam, acrescendo aquela tendência que Frank Zappa tinha para quebrar todas as regras musicais, como por exemplo, pôr um coro a cantar frases musicais rapidíssimas. Ninguém se imaginaria (pelo menos, seriamente) a fazer a maldade de colocar outrém a reverberar tal coisa com a voz...
É um dos maiores clássicos de Frank Zappa, que parte de uma premissa simples e lógica: uma mudança para o Montana para plantar uma cultura de fio dental e a consequente firme resolução de se tornar um "magnata do fio dental". Quem achar que não conhece Montana, que ouça e pense duas vezes se não há por ali uns riffs e melodias que já ouviu noutro local qualquer:


Montana, Frank Zappa
"Over-nite Sensation" (1973)

Caso para dizer, e citando o homem, «you can't do that on stage anymore»...
publicado por Olavo Lüpia às 01:57 | link do post | comentar
Sexta-feira, 25.05.07

Porque hoje é Sexta...

Espero bem, pelo vossa saúdinha, que este seja o mote para o fim de semana:
Dirty Love - Frank Zappa
"Overnite Sensation" (1973)
publicado por Olavo Lüpia às 03:40 | link do post | comentar | feedbacks (1)
Quarta-feira, 25.04.07

...

O Que Será (À Flor da Terra)? - Chico Buarque com Milton Nascimento
"Meus Caros Amigos" (1976)



Bobby Brown Goes Down - Frank Zappa
"Sheik Yerbouti" (1979)



Way Down In The Hole - Tom Waits
"Frank's Wild Years" (1987)
publicado por Olavo Lüpia às 03:41 | link do post | comentar
Terça-feira, 13.02.07

Palavras para quê? -VII

Nada a fazer. Zappa foi um dos maiores génios musicais que o universo já conheceu. Aqui fica apenas um cheirinho do seu lado instrumental. Quem ouvir, por exemplo, Peaches en Regalia ou Sofa #1 e não ficar irremediavelmente fascinado, que atire a primeira pedra...

Peaches en Regalia - Frank Zappa
"Hot Rats" (1969)
Sofa #1 - Frank Zappa
"One Size Fits All" (1975)
I Promise Not To Come In Your Mouth - Frank Zappa
"Zappa In New York" (1978)
Sexual Harrassment In The Workplace - Frank Zappa
"Guitar" (1988)
publicado por Olavo Lüpia às 00:45 | link do post | comentar | feedbacks (1)
Terça-feira, 12.12.06

...

EU FIZ AS CONTAS...


Então... e o buço?

(confesso que resulta melhor com o outdoor da campanha...)

Girl, You'll Be a Woman Soon - Urge Overkill
"Pulp Fiction OST" (1994)
What's The Ugliest Part Of Your Body? - Frank Zappa
"We're Only In It For The Money" (1968)
Fine Girl - Frank Zappa
"Tinsel Town Rebellion" (1981)
publicado por Olavo Lüpia às 01:59 | link do post | comentar | feedbacks (1)
Sexta-feira, 29.09.06

Does Humour Belong In Music? (II)

O grande e único, o genial e imprevisível, o revolucionário Frank Zappa. Depois dele, nenhuma "loucura" musical se pode verdadeiramente chamar de novidade. O humor perpassou toda a carreira do homem e aparece desde logo nos nomes de músicas e discos ("Why does it hurt when I Pee?", "I promise not to come in your mouth", "Don't eat the yellow snow", os blues "My guitar wants to kill your mama" e "Sexual haressment in the workplace") e nas suas capas ("We're only in it for the money" - com a sua capa a caricaturar a de "Sgt. Pepper's lonely hearts club band", dos Beatles, entre outras).
Disponibilizo-vos três musiquinhas.
Cosmik Debris, do disco Apostrophe ('), de 1974, que eu gosto particularmente, quer pela letra quer pelas piadas musicais que vão aparecendo na música, em forma de pequenos sons, mudanças imprevisíveis, etc., etc...
O clássico Bobby Brown Goes Down, numa versão live presente no primeiro disco do You Can't Do That On Stage Anymore, Vol. 3 (1989) e, mais tarde, editada também no disco Cheap Thrills (1998) . O mito do cowboy gay nem de perto nem de longe começa com o "Brokeback Mountain", havendo aqui referências claras ao Mascarilha (The Lone Ranger) e aos seu amigo indío, Tonto. Incrível é como a música segue até ao fim, quando toda a gente em palco está perdida em sonoras gargalhadas...
A finalizar, uma raridade que encontrei: uma versão indescritível do documento histórico Stairway to Heaven, dos Led Zepp, cheio de sons imprevisíveis e piadinhas musicais enxertadas em tudo quanto é sítio. O fabuloso solo de guitarra de Jimmy Page é aqui tocado pelos sopros...

Para quem não conheça Frank Zappa e queira dar uma espreitadela ao que era mesmo que ele fazia (sim, porque estamos a falar de uma discografia de cerca de 60 itens, em menos de 30 anos!), recomendo o best of "Strictly Comercial", de 1995. Uma boa porta de entrada pelo mundo delirante de Frank Zappa.

Cosmik Debris
Bobby Brown Goes Down
Stairway to Heaven

(Para um vídeo de uma outra versão da mesma música - menos conseguida, diga-se - por Zappa, cique-se aqui.
Sobre a famigerada teoria da mensagem satânica escondida na Stairway To Heaven, clicar aqui)
publicado por Olavo Lüpia às 15:46 | link do post | comentar | feedbacks (1)

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