Primeira Impressão - Scarlett Johansson



Parafraseando Woody Allen, não há nada mais bonito que o canto de um passarinho a acordar-nos pela manhã. É claro que se ele continuar a cantar por período maior que o desejável podemos ganhar uma dor de cabeça. Se o canto da avezinha for interminável, a vontade de lhe meter uma meia pela goela abaixo pode ser mesmo indomável.
De uma outra maneira: se é verdade que as plantas necessitam de água para sobreviver, encharcar-lhe as raízes do - cada vez mais - precioso líquido pode matá-las. Que é que isto tem a ver com o disco da starlet Johansson? Não faço puto de ideia, mas a primeira coisa que me vem à cabeça com a audição de "Anywhere I Lay My Head" é uma sinestesia: "encharcado em som".
David Sitek (TV On The Radio), o produtor, parece ser o grande responsável. Até um certo ponto, entende-se a linha de raciocínio. A voz de Scarlett não é a oitava maravilha do mundo e toca de imbricar o som em produção. Muitas das músicas de Waits são agrestes, outras são quase pequenos segredos, histórias que nada ficam a dever ao glamour. Ora, a primeira função de um cacto não é servir de distracção para narizes ou olhos alheios. E neste disco, aconteceu um pouco isso: cactos, cravos ou jacintos, todos ficaram a parecer rosas. [Já chegava de Botânica, digo eu...]
Em conclusão, querer pegar no jazz, no blues, no folk e tudo mais de Waits, misturar tudo no mesmo caldeirão, dissolver a mistura em pop dos 80's com um feel karaoke, e tirar de lá uma poçãozinha de "glam-pop" pode não ter sido a melhor ideia do mundo.

No mais, continuo a achar Scarlett Johansson uma das mais impressionantes conquistas visuais da Humanidade...


Falling Down, Scarlett Johansson (com David Bowie)

Anywhere I Lay My Head

publicado por Olavo Lüpia às 00:02 | link do post | comentar