Ainda dizem que a droga não faz bem?!!

The Beatles.
Provavelmente, a melhor banda de todos os tempos!
Dos cabelinhos com franjinha ridícula aos ácidos. Da roupinha preta e branca ao arco-íris "farpelar". De Love Me Do a I Am The Walrus...
Revolver ('66), Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band ('67), Magical Mistery Tour ('67) e o White Album ('68) - entre outros - são discos absolutamente fulcrais para o entendimento da música moderna como a nossa geração a herdou.
Curiosamente, a relevância musical da banda é directamente proporcional ao consumo de drogas dos seus membros:
- John começou a inspirar-se numa Lucy in the Sky with Diamonds (e, depois, no "matraquilho" Yoko Ono);
- Paul começou a fumar ganza como se não houvesse amanhã, para além dos ácidos da praxe (claro), e a compor música MESMO a sério - ou, nas palavras de Cavaco Silva, «música do c$%alho...»;
- George Harrison descobriu a cítara e o Ravi Shankar... e a guitarra dele começou a chorar suavemente;
- Ringo, que sempre se sentiu triste por lhe terem dado nome de cão e por não saber muito sobre o que era essa coisa de "tocar bateria", começou a usar as poucas noções de percussão que tinha... para o Bem!

Depois deste intróito pateta - como, aliás, todos os outros -, deixo-vos duas propostas.
A Tomorrow Never Knows, do Revolver (não, não se trata de uma sequela do novíssimo filme do Almodovar - que piada horrível...). É um marco incontornável da era psicadélica, exponenciada pela cena de S. Francisco dos finais dos 60's, com artistas como os Grateful Dead, Jefferson Airplane, The Mothers of Invention de Frank Zappa, Captain Beefheart ou Janis Joplin, passando pelo Verão do Amor ('67), culminando com o Woodstock, em Agosto de '69 .
Coincidência ou não, é em S. Francisco, no Candlestick Park, em 29 de Agosto de 1966, que os Beatles fazem o seu concerto de despedida. Em conversa com McCartney, ele disse-me o porquê de tão precoce despedida: «Eh, pá... Olavo, o povo berrava muito. Então, as gajas... Dassssssss! Eu não ouvia nada do que estava a fazer nem do que os outros tocavam. Quer dizer, no caso do Ringo até nem era mau, mas....». Ringo, himself, coçou a barba e ficou a olhar para o ar durante 7 minutos, até que acordou e disse, com um ar sábio: «Num me lembro...».
De qualquer forma, a música está fora do seu tempo. Muuuuuito à frente. Genial.

A segunda proposta é o Strawberry Fields Forever, do Magical Mistery Tour ('67), e não merece epíteto menor.
Uma obra de arte.
Nas palavras do Prof. Marcelo, «F...-se, Olavo! Essa música é o puto do fim do mundo».
Juro.
(Agora vou pedir aos meninos da minha mailing list para serem pacientes e ouvirem isto outra vez. Desculpem)
Propunha-vos três passos para se ouvir este "bocadinho de história", que são os seguintes:
1.º Ouçam a música só com a coluna da esquerda; depois
2.º Ouçam só com a da direita; (ou vice-versa) Por fim,
3.º Ouçam a música de forma normal, como a conhecem.

Impressionante, não é?... A mistura está feita de uma forma esquisitíssima e, no fundo, são 3 músicas numa só!
Ainda dizem que a droga não faz bem...

Tomorrow Never Knows
Strawberry Fields Forever

P.S. Nenhum Ringo Starr foi morto ou mal-tratado na redacção deste texto.
publicado por Olavo Lüpia às 00:25 | link do post | comentar