Novidades - The White Stripes


«I said I know it's only Rock & roll but I like it», cantava Mick Jagger. Neil Young preferia «hey, hey, my, my, rock & roll will never die»... Podem andar às voltas com definições mais ou menos pomposas para "Icky Thump", mas o resultado a que vão dar tem que acabar por entroncar no espírito do rock & roll.
Guitarras em distorção, ritmos de bateria fortíssimos e alguns gritos. Solos de guitarra: já não ouvia solos de guitarra há anos(!!)... Meg White não tem o génio percussivo de John Bonham, mas o que lhe falta em virtuosismo vai tentando colmatar em criatividade.
Em geral, o disco soa muito a Led Zeppelin: na faixa-título, que começa o disco, a voz é a de Robert Plant e os riffs de guitarra os de Jimmy Page, ainda que a letra seja uma crítica feroz às leis de imigração norte-americanas; You Don't Know What Love Is (You Just Do As You're Told) junta os Rolling Stones aos Zeppelin, com arranjos a condizer; os laivos acústicos de 300 M.P.H. Torrential Outpour Blues também trazem Jimmy Page à baila; depois, quem não ouvir a voz de Robert Plant em I'm Slowly Turning Into You, nunca ouviu os Zepp.
Em geral, parte-se dos blues para o rock e hard-rock, como se ouve na curtição headbanger de Rag & Bone ou em Catch Hell Blues.
O riff inicial de Bone Broke traz à memória o de Revolver dos Rage Against The Machine, com intensidade instrumental a condizer.
Prickly Thorn, But Sweetly Worn é uma surpresa estranhíssima dos White Stripes. Folk britânico, com gaita de foles e bandolim, vindo de uma banda de Detroit é, no mínimo, esquisito. Principalmente quando coisa parecida só se imagina natural vinda de artistas folk britânicos dos anos 60, como Bert Jansch e John Renbourne, ou outros artistas britânicos que tenham em si um lado folk forte como... Jimmy Page. Como continuação, ouve-se St. Andrew (The Battle is In The Air), em que o que restou do folk de Prickly Thorn se emaranha com puro psicadelismo (como há 40 anos atrás).
O (hard) rock torna-se heavy metal em Little Cream Soda, onde os riffs sugerem o casamento dos graves de uns Black Sabbath com os agudos dos Smashing Pumpkins de "Siamese Dream" e "Mellon Collie...".
Mas nem tudo é rock & roll. O tesouro do disco é Conquest, a 4.ª música. Punk mariachi! Para quem não sabe o que isso é - eu também o desconhecia -, adivinhem o que acontece quando se juntam acordes de guitarra com muita distorção, sincopados e marcados pela bateria, com trompetes mariachis a dar um colorido mexicano.
O lado mais country alternativo dos Stripes aparece apenas sugerido na pseudo-balada A Martyr For My Love For You e assumido, já, na excelente faixa final, Effect and Cause.

Em conclusão, ouçam este disco e, no fim do disco, ouçam mais um bocado. Não muda a vida de ninguém. Não traz sequer grandes novidades à Música. Mas soa bem, não chateia e tem boas canções.
Se, pelo menos, "Icky Thump" levar as pessoas a trautear de forma sentida qualquer uma das músicas a que aludi no início, já se ganhou uma grande coisa - isto porque, se calhar, pedir aos miúdos (não que eu seja um cota) para ouvir discos dos Led Zepp, dos Stones ou do Neil Young já é capaz de ser pedir demasiado.

Conquest
Rag & Bone
Effect & Cause


Icky Thump
publicado por Olavo Lüpia às 02:39 | link do post | comentar