Novidades - He's Beck!

"1, 2... You know what to do..."

Com lançamento no início desta semana, aí está o novo de Beck, The Information.
(Este texto foi escrito após duas audições da "coisa", pelo que pode sofrer de "ejacculatus prematurus", mas... adiante!)
Mais um disco inteligente de Beck, entre a revisitação, desde Mellow Gold (1994) a Guero (2005), e o salto no experimentalismo electrónico. Foque-se, desde logo, o produtor, que acaba por ser figura omnipresente em todo o disco. Nigel Godrich é um génio. O bom gosto que o homem incute a tudo em que toca é, no mínimo, desconcertante (o toque de Godrich?). Penso que este The Information nunca seria o mesmo se fosse outra pessoa a produzir.
Quanto ao disco, logo a abrir, uma música bem engraçada, à Odelay (1996), chamada Elevator Music, passando, logo a seguir, em Think I'm in Love, para um registo mais aproximado a "Midnite Vultures" (1999). Continua o disco com a música que se vai já ouvindo aqui e ali, Cellphone's Dead. Depois, um musicão: Strange Apparition, entre o pop, a soul e o folk. Primeiro, marcadamente, o piano vai ditando o rumo da música, para, no fim, dar lugar de relevo à guitarra acústica que a conduz até ao seu final. Depois de Soldier Jane, vem a psicadélica e paranóica Nausea. O pop simples e bem bonito de New Round, com bons arranjos de vozes, dá lugar à fantástica Dark Star, com as cordas a evocarem Paper Tiger (Sea Change - 2002) e a harmónica a dar o tom "fora", naquele toque especial de Beck de deslocalizar instrumentos e sons dos seus ambientes naturais, dando às músicas umas tonalidades fora do habitual (vide, por exemplo, aquele banjo em Sexx Laws, de Midnite Vultures, bem audível no seu final). Depois, We Dance Alone, um pequeno paralelismo com "The Eraser", de Thom Yorke, notando-se a já referenciada excelência de produção de Nigel Godrich - tecnologia em função da música. O mesmo se diga quanto a 1000BPM e Motorcade. The Information, um bom tema, aparece depois, preparando caminho para a excelente Movie Theme, muito à Sea Change, com um laivos engraçadíssimos de psicadelismo (que também são habituais em Beck), até que aparece a esquisita The Horrible Fanfarre/Landslide/Exoskeleton, música de 10 minutos, entre o experimentalismo sónico e o psicadélico, com a repescagem do riff de Cellphone's Dead.
É, assim, um disco que se pode dividir em duas metades: uma com músicas de estrutura mais convencional (se é que isto se pode dizer de Beck), com revisitações actualizadas do trabalho anterior do próprio; e uma outra mais experimentalista e electrónica, para o qual, penso, escolheu o produtor ideal. Em comum, o sónico e o psicadélico... e Beck. Sempre Beck.
Em conclusão, acho que aqui temos um Beck mais objectivo e maduro. Um Beck que olha para a sua carreira e pensa: «agora vou levar isto de outra maneira». Se a cada disco, havia experimentado caminhos diferentes (do folk/funk/rap de Mellow Gold e do «you name it, I play it!», de Odelay, ao seríssimo e intimista folk de Sea Change, passando pelo sónico Midnite Vultures e pelo psicadélico folk, blues e até bossa nova de Mutations, até chegar ao funk/rap - inacabado - de Guero), parece-me que se inicia um novo ciclo com este The Information, um disco muito inteligente, como já disse. É um disco que me deixou já curioso sobre como será o próximo, tendo em conta os vários caminhos abertos por este.
Escolher 3 músicas foi, mais uma vez, difícil, mas aqui vai:

Strange Apparition
Nausea
Movie Theme

Não postei aqui a música "Cellphone's Dead", porque podem ouvi-la, via Markl, se clicarem aqui. Vão também ao site porreírissimo do próprio Beck, através da palavra pladur (uma palavra que, por muitas vezes que a ouça, faz-me sempre rir de forma inane).

P.S. Mudei (temporariamente... ou não) o sistema de postagem das músicas. Com a desvantagem de que se não podem ouvir na própria página, após clicarem no nome das músicas linkadas, vão reparar que as coisas tornam-se bem mais simples de ouvir e... "cenas". Abre uma nova página, é só clicar em play... (podem, claro, minimizá-la, se vos apetecer, e continuar a ler o blog, se não for muito doloroso...). Se quiserem, digam aí nos feedbacks se acham melhor ou pior, ok?
publicado por Olavo Lüpia às 15:43 | link do post | comentar