Especial Bruce Springsteen #8 - "Darkness On The Edge Of Town"


Depois de "Born To Run", Springsteen gastou o chão dos palcos, tendo também que deglutir a atenção que o disco de 1975 tinha gerado à sua volta. Mas não era apenas isso que impedia Springsteen de voltar aos discos.
Bruce manteve durante dois anos um proceso judicial contra o seu ex-manager, Mike Appel, período no qual o compositor se manteve afastado das sessões de gravação.

Com este reboliço, a música de Springsteen acabou por ficar mais 'escura' e menos optimista. Os personagens "freak" e os românticos, e os "freaks" românticos, dão lugar a personagens mais terrenas; o modo de vida adolescente ou pré-adulto dá lugar a um mais adulto; o escape da noite ao dia de trabalho.
Tudo isso pode ser ouvido em "Darkness On The Edge Of Town": o ajuste de contas com o progenitor, no rock pesado de Adam Raised A Cain; as forças e circunstancialismos que nos dominam, em Racing In The Streets e no fabuloso tema-título; um amor um pouco mais maduro em Prove It All Night e um pouco mais selvagem, no amor por uma prostituta, em Candy's Room; o valor do esforço e do trabalho em Badlands, Factory ou The Promised Land.
Apesar de haver músicas que acabaram por se tornar símbolos da carreira de Springsteen e marcos ao vivo, como Darkness On The Edge Of Town, Racing In The Streets ou Candy's Room, não há 'hits'.
Curiosamente, e com o escopo de manter o disco 'focado', Bruce Springsteen tinha 'oferecido' Because The Night a Patti Smith - co-autora do tema - ou Fire às Pointer Sisters, músicas que acabaria por ter grande visibilidade comercial. Obviamente que Springsteen continuou a tocar esses temas ao vivo.

Há ainda a referir a excelente Streets Of Fire, que acabaria por dar o nome ao conhecido filme de Walter Hill de 1984 - o tal que, musicalmente, acabou por nos dar a conhecer Nowhere Fast. A ideia dos produtores do filme era usar a música de Springsteen na banda sonora. No entanto, quando Springsteen se apercebeu que a ideia era que o tema fosse re-gravado para caber na personagem principal feminina do filme, representada pela belíssima Diane Lane, recuou na permissão de uso dos direitos da canção.

Temos então um disco, um grande disco, introspectivo e intimista como os anteriores nunca foram, de que Something In The Night é talvez o melhor exemplo. Um disco de um Springsteen bem diferente que aquele que conhecíamos até "Born To Run" e que, em grande parte, começa a definir uma parte do Springsteen que temos desde então.

Adam Raised a Cain
Streets Of Fire
publicado por Olavo Lüpia às 01:00 | link do post | comentar